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Esclerose Múltipla: principais avanços no diagnóstico e no tratamento

No Agosto Laranja o Einstein realiza várias ações de conscientização sobre a Esclerose Multipla, diagnóstico e tratamento.
Esclerose Multipla

Neste mês em que é lembrado o Agosto Laranja, com o objetivo de dar maior visibilidade à Esclerose Múltipla – doença neurológica que acomete cerca de 3 milhões de pessoas no mundo, o Hospital Israelita Albert Einstein realiza várias ações de conscientização sobre a doença, o diagnóstico e o tratamento. Diferente de outras doenças que não avançaram muito em relação a estudos e inovação, a Esclerose Múltipla (EM) desponta como uma das patologias que mais absorvem investimentos em pesquisas. 
Atualmente, a principal aliada da EM são terapias muito potentes, capazes de frear o curso da doença, principalmente se utilizadas de forma precoce. Essas terapias farmacológicas são imunomoduladores ou imunossupressores, com capacidade para regular a atividade imunomediada da doença, controlando crises, surtos e, muitas vezes, impedindo a progressão de incapacidades físicas. 

De acordo com o neurologista Dr. Rodrigo Barbosa Thomaz, os pacientes que tiveram diagnóstico da doença nos últimos dois a três anos já estão sendo beneficiados por essas novas terapias, que garantem mais eficácia no tratamento. “A partir do diagnóstico, a gente almeja que o tratamento freie a evolução da doença e que o paciente tenha vida normal. Para isso, buscamos um tratamento de alta potência no início, para congelar a Esclerose Múltipla e evitar que ela se torne progressiva. A estratégia do médico faz toda a diferença”, destaca. 
Nas últimas duas décadas, a compreensão da fisiopatologia da doença teve grande expansão. “Hoje entendemos muito mais os mecanismos da Esclerose Múltipla do que antes. Houve mudança de entendimento em relação ao que se identificava na década de 80, por exemplo, quando surgiram os primeiros medicamentos. Naquela época, as teorias eram baseadas em modelos animais (ratos) e eram focadas no linfócito T. Com o passar dos anos, houve aquisição de novas tecnologias para identificar a doença no ser humano e passou-se a entender que o mecanismo da doença é mais voltado para o linfócito B”, ressalta.  

Outra evolução, segundo o médico, foi a análise do líquor. “Melhoramos a identificação por métodos mais precisos das bandas oligloconais e ainda pesquisamos índices de anticorpos comparados entre o sangue e o líquor, tanto IgG como IgM. O índice de IgM, principalmente, se correlaciona com maior gravidade da doença. Incorporamos ainda as pesquisas de índice de cadeia leve livre Kappa, que parecem ser anticorpos ainda mais específicos para a Esclerose Múltipla, no sentido de não haver dúvida.”
A metodologia mais recente, em termos de exames, é a dosagem de neurofilamentos de cadeias leves no líquor e no sangue. “Por meio dela conseguimos identificar a gravidade da doença e o risco de progressão. Com esse biomarcador, acompanhamos a doença de forma mais adequada, no sentido de controle, de prognóstico e de risco de progressão”, avalia o médico.  

Novas terapias e medicina de precisão

A Esclerose Múltipla possui dois aspectos: muita inflamação no início da doença e pouca degeneração. Porém, com o passar do tempo, começa a ocorrer maior degeneração. Um ponto positivo, segundo Dr. Thomaz, é o início de estudos sobre linha de tratamento que auxilia na regeneração. 
Segundo ele, atualmente há cerca de 15 terapias disponíveis para Esclerose Múltipla – divididas entre baixa, moderada e alta eficácia. Nos próximos anos, também devem surgir medicamentos capazes de reduzir a progressão de incapacidades físicas e reverter a fase progressiva.
“Para o futuro, almejamos fazer escolhas mais precisas, ou seja, entrar na área da medicina da precisão. Já estamos coletando amostras de todos os pacientes para armazenamento no biobanco. Dessa forma, poderemos estudar os pacientes geneticamente no futuro, encontrando características individuais ou populacionais, e identificar as variantes genéticas. Isso auxiliará na escolha terapêutica mais individualizada.”  

Prevalência

Mais comum entre pessoas com idade entre 20 e 40 anos, a Esclerose Múltipla é a segunda doença neurológica, no mundo, que mais causa incapacidade física. E de acordo com Dr. Thomaz, a prevalência tem aumentado em pacientes com outras faixas etárias, como em crianças e pessoas acima dos 40 anos. 
Em termos de diagnóstico e tratamento, o neurologista fala de publicações que auxiliam a conduta médica. “Em uma publicação de 2021, foram avaliadas biópsias de pacientes em correlação com ressonância magnética. Faz-se a biópsia para entendermos a lesão, analisarmos como estava antes e começarmos a correlacionar.” 
Dr. Thomaz acrescenta que, no Einstein, foi assumida uma forma diferente de olhar a ressonância do paciente. “Criamos um padrão estruturado que observa todos os aspectos e descreve a presença das lesões: a forma, a localização, os sinais de atividade, os sinais de resolução da inflamação, a inflamação crônica, a progressão da doença, a atrofia... Nosso método está muito alinhado às últimas recomendações de como aplicar a ressonância não só no diagnóstico, mas também no entendimento mais profundo da doença e no segmento mais adequado daquele paciente, seja para imagens no crânio ou na medula espinhal”, cita.

Centro de Excelência

Há pelo menos uma década, o Einstein conta um Centro de Excelência de Esclerose Múltipla, que funciona como uma Unidade de Esclerose Múltipla dentro do hospital geral, tal qual o novo conceito europeu, que não carece de um centro físico. Essa Unidade reúne pessoas dedicadas a estudar, a aprimorar o conhecimento, pensar sobre a doença de forma sistemática e trazer inovação para os pacientes. “O nosso cuidado está sempre centrado no paciente e somos referência em lidar com casos graves de Esclerose Múltipla. Porém, temos pacientes em todos os níveis da doença e nossa abordagem é muito focada na terapia de alta eficácia e mais precoce possível. Esse é o nosso principal ponto de vista, que chamamos de ciência aplicada”. 
No Centro de Excelência, três pilares são norteadores: inovação aplicada na prática, individualização e precisão (avançados recursos de diagnóstico). 







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